sexta-feira, 29 de maio de 2009

O sumiço e o queijo mais forte da vida

Sumi mesmo e não acho graça nenhuma. Graças a algumas peças pregadas pelo destino - todas com final feliz, é bom dizer - andei sumida, sumida daqui. Mas não tem desculpa. Não há nada que me dê mais antipatia (ok, há) que posts do tipo "sumi mas agora voltei a postar" etc. E cá estou eu fazendo o mesmo.

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Um mea culpa depois....



Neste meio tempo muitas coisas aconteceram, muitos sabores foram provados, churrasco foram feitos, brindes levantados. Vou, em vários posts, relembrando as experiências.

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O queijo que faz a língua cair



As pessoas sempre fazem a bobagem de me perguntar, quando viajam, "quer que eu te traga alguma coisa?", porque eu digo "sim" e lanço em seguida uma pequena lista de improváveis possibilidades. Da última vez escalei meu primo-irmão para me trazer de Lisboa o tal do queijo estrela.



É que uma vez, num almoço de apresentação de cardápios e novas franquias do La pasta Gialla, acabei sentando na mesma mesa que o Sérgio Arno. E ele, que tinha acabado de voltar de Portugal, sacou da bolsa, na hora da sobremesa, uma embalagem grande que queijo que parecia embrulhado para presente.



Folhas e folhas de papel-manteiga depois, veio o queijo, cremoso, como um mascarpone, para ser comido com um vinho do Porto, como fizemos. Fiquei deslumbrada com aquele queijo, que facilmente me veio à memória na ocasião da oferta do pobre primo. Mas, na volta da viagem à Londres (onde mora), ele confessou, depois de ter mandado o laticínio por Sedex: "não deu para mandar o cremoso. Fiquei com medo de que ficasse cabeludo de tantos fungos durante a viagem. Enviei o queijo duro, tudo bem?".



Tudo ótimo! Vou provar uma outra versão do queijo estrela, que, imagino, deve ser tão boa quanto. E um dia chega o queijo e eu abro. Na etiqueta "queijo estrela envelhecido". Gostei, o queijo já vem velho. Pela embalagem transparente eu já via que a capa do queijo era vermelha como que coberta de páprica (não a capa que você não come, a que você come, como a capa branquinha do brie). "Niqui" abro, um cheiro absurdo invade a casa. Ouço um "o que está acontecendo?" vindo da sala. Era mesmo caso pra se alarmar. Sobreviveria eu ao queijo? Peguei uma faca e heroicamente cortei um pedação, que botei na boca - como quem toma uma talagada de cachaça por não ter coragem de tomar aos golinhos....



Pausa: imagine o provolone que mais coçou a sua língua. Multiplique pelo Grana Padano mais granulado que você já provou. Agora coloque uma capa (vermelha, atenção!) de acidez. Pronto, esse foi o presente que meu primo me enviou.



Fora o choque inicial, adorei o presente. Vale dizer que é um queijo para quem gosta de queijos realmente muito fortes. Eu não me atrevo mais a comer sozinho - quando acabo fazendo isso, fico com o céu da boca com urticária e a língua formigando. Corto uma lasquinha e ponho em cima de uma torrada. É meu ritualzinho de todo dia ao chegar em casa desde então, tipo aqueles caras que nos filmes quando chegam em casa preparam um uísque com gelo.


Importante falar que o envelhecido é melhor para abrir jantares que para finalizar, mas já tomando um tinto robusto ou mesmo uma bela caipirinha.



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Aqui tem um texto bem legal sobre o queijo Serra da Estrela (o tradicional, molinho) e sobre o risco que a produção artesanal dos queijos está correndo por conta das exigências da vigilância sanitária lusitana.

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Em tempo: reli o rótulo, não é "queijo envelhecido", é "queijo velho" mesmo. Amei - os lusos já aprenderam o tal antitucanês.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A época dos caldinhos

É só dar uma baixadinha na temperatura que dá aquela preguiça de sair. Ainda mais, com o perdão da redundância, de sair pra fora – fora mesmo, na calçada. E é a calçada, justamente, o meu local preferido no bar. Qual a solução?

Por sorte, os donos de bares e botequins são mais atentos que os camelôs da 25 de Março. A gente nem mal sentiu a preguicinha, o friozinho, e lá vêm eles com suas sugestões de caldinhos. Adoro. Nas minhas lembranças do último outono/inverno deixaram saudade o caldinho de frutos do mar do Posto 6 (cremosinho, bem denso, uma refeição), o de mocotó, que vem com uma gema crua à parte, do Jacaré, e o caldo de sururu que tomei na casa da minha mãe. Por que não se encontra caldo de sururu em SP? Eu quero! Se não tem sururu é só fazer com vôngole, não é mesmo?

Seja qual for a escolha, é sempre uma opção reconfortante. E sempre uma bela maneira de preparar-se para os primeiros tragos evitando o estômago vazio - antes mesmo de escolher algo de mais sustância para comer.

Uma dica: acho que caldinhos combinam especialmente com cachaças. As “refeições líquidas” sempre tiram o sono de quem quer harmonizá-las com bebidas – enófilos tremem, sem nem mencionar na total incompatibilidade com a cerveja gelada.

Pois essa é uma maneira simples de pensar sua harmonização: como se trata de uma sopa, no fim das contas é melhor não exagerar no líquido que a acompanha para não ficar com o estômago “balançando”. Mas se a barriga já está forrada, pegue seu caldinho e o copinho de cachaça. Beba devagarinho como manda o figurino - para não queimar a língua e nem a goela. No fim, você vai estar, com toda certeza, bem aquecido.

Em tempo: a nota é velha e me desculpem pela antinotícia, mas eu achei tão simpático que merece a menção. O Pirajá comemorou o dia de São Jorge (23 passado) distribuindo um caldinho de galo para os convivas. Como não sou tão fora de hora assim, a celebração vai até hoje (quinta, dia 30). Bela sugestão de happy hour (tem mesmo um belo happy hour o Pirajá) pré feriadão.

E abaixo, o flyer que vem com a receitinha.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A melhor parrilla de Buenos Aires – ou La Cabrera X Miranda

É impossível não ter uma verdadeira intoxicação de carne vermelha quando se viaja para Buenos Aires. Pelo menos para pessoas bem carnívoras, como eu. E é uma orgia alimentar muito satisfatória: não tem jeito, a carne dos caras é melhor e ponto (tanto quanto somos melhores no futibas e ponto).

E por conta dessa superioridade do boi, qualquer parrilla de bairro deixa nós brasileiros felizes da vida, com a sensação de que aquele foi “o churras do ano”. Como não sou iniciante em terras portenhas, quis ir além. Qual seria a melhor parrilla de Buenos Aires? Era essa que eu queria comer em minha mais recente visita.

Um certo boca-a-boca e três guias consultados depois, havia, não uma resposta, mas um embate a ser resolvido. Diz que o La Cabrera é o preferido dos tradicionalistas, mas que o Miranda, freqüentado por playboys, serve uma carne tão boa quanto, ou melhor. Na dúvida, fui aos dois.

La Cabrera




São duas casas idênticas em uma mesma rua em Palermo, já que a primeira não dava mais conta do público. Em ambas, o ambiente é agradabilíssimo: salão pequeno, decoração informal e bem over, cacarecos pendurados, escritos nas lousas. Fomos na filial e sentamos na calçada.

Cada corte (de cerca de 400g) sai por, em média, 40 pesos e pode ser compartilhado. O garçom sugeriu honestamente que não escolhêssemos nenhuma guarnição, apesar das várias opções do menu. “A carne já vem com vários pequenos acompanhamentos”. “Vários” não foi força da expressão, foram treze potinhos que chegaram à mesa com molhos, chutneys, legumes, batatinhas e uma cesta de pães.

Alegria, alegria. Mistura de “picadas” com churrasco – um belo ojo de bife feito no ponto pra mal passado, conforme havíamos pedido. Serviço cordial e sem frescura. E a conta, com cervejas incluídas, deu R$ 50 por pessoa, um valor cada vez mais impossível de se pagar por uma boa refeição (com cerveja, então, nem se fala), em São Paulo.



Miranda

A casa era tudo o que guia Wallpaper tinha dito: o salão amplo, pé direito e-nor-me, decoração moderninha, garotos saídos das quadras de tênis, meninas com cachorros cuti-cuti comendo salada (sem carne). Eu ainda tinha dúvidas sobre o que o guia queria dizer com a frase “os garçons são intangíveis”. Logo entendi. São aqueles garçons novinhos, mais pra bonitinhos que para eficientes, que te deixam um tempão abanando a mão até que resolvem te atender. Também são aqueles dotados de uma certa falta de noção. Quando perguntei sobre que cerveja era aquela listada no cardápio, ele logo respondeu fazendo uma careta: “é uma cerveja artesanal, mas eu acho horrível”. Pedi exatamente aquela.






Mas, no que importa, a carne, o Miranda pareceu impecável. Os cortes têm o mesmo preço do Cabrera, mas são individuais, e os acompanhamentos são pedidos à parte (30 pesos uma salada enorme para até três pessoas, 15 pesos uma abóbora recheada com queijo fundido), o que torna a conta bem mais salgada que no seu concorrente. Mas o bife de chorizo e o lomo estavam sensacionais – com certeza o meu “churras do ano”.

Mas aí a gente vê que uma visita só não basta para você sacar o padrão de um restaurante. Dois dias depois, a vontade de comer aquela carne maravilhosa de novo vez bateu a de conhecer outros lugares. Rumamos para lá, certos de que tudo se repetiria, mas que nada! As duas carnes vieram passadas e até queimadinhas por fora. O meu cordeiro da patagônia não estava melhor que algum criado em Catanduva. E os garçons...mais intangíveis que nunca.





Tudo isso para falar que, em termos de parrilla, vale mais seguir a turma dos tradicionalistas - ao menos se sua intenção for realmente comer.

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La Cabrera - Cabrera, 5.099 e 5.127, Palermo Viejo

Miranda - Costa Rica, 5602 , Palermo Hollywood


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Para quem vai a Buenos Aires e não tem guia impresso, uma boa ferramenta para planejar incursões gastronômicas é o site do crítico Vidal Buzzi.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Super Homem na Pink Elephant

Você já foi à Pink Elephant? Eu não - ir a boates upscale definitivamente não está entre meus programas favoritos. E é por isso que outro dia eu não soube responder quando ele me perguntou assim – “é verdade que lá acende um holofote sobre o sujeito que compra uma champanhe daquelas grandes e toca a música do Super Homem?”. Heim?

Achei que era um daqueles boatos sobre lugares que viram uma espécie de lenda urbana. Disse que era improvável. Mas ele insistiu: “quem ia inventar uma coisa dessas?”. Tá certo, ninguém seria tão criativo. E como já vi as práticas mais bizarras do mundo em clubes – em especial os voltados ao público AAA, que visitei quando cobria Noite na Folha – resolvi ir atrás.

Fonte oficiais consultadas e...sim, é verdade o papo do super homem das champanhes. Na verdade, nas palavras da fonte oficial, é assim:

“Todas as champanhes são servidas como um espécie de chuva de prata. (fogos de artifício – uma versão mais robusta daquelas velas de aniversário, com pólvora). A regra para parar toda a balada e tocar a música do superman é a seguinte: o cliente tem que pedir uma Veuve Cliquout Jeroboan, que é a garrafa de 3 litros (R$ 2.800), ou 11 ou mais unidades das champanhes de tamanho normal – 750ml (R$ 485).”

Daí quando eu fico pensando que se eu estivesse lá (qual a possibilidade?), morrendo de vontade de tomar uma champa (ok, mas a R$ 485?) por que eu ia querer passar o carão de ser alvo de holofote, música do Super Homem e fogos de artfício?

Eu não ia querer, mas muita gente sim. E muito.

“Já tivemos um caso que um cliente pediu 22 de uma única vez! (rs)”

E descolei a foto do momento da entrega para o “super homem” X 22




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(silêncio de espanto)

terça-feira, 31 de março de 2009

O resgate da "comida gostosa"

Há meses recebi de um amigo jornalista da área gastronômica a indicação do blog do chef Julinho (Júlio Bernardo, do restaurante Sinhá). "Olha que figura". É mesmo. E mais que isso: escreve bem e é corajoso. Em um universo em que a maioria dos profissionais troca elogios em público e há justificativa para todo e qualquer preço exorbitante praticado, ele ataca chefs "incriticáveis" e destrói alguns mitos, como o do cafezinho gourmet custar caro. Virei leitora.

Muitas vezes não concordo com suas opiniões. Mas acho que seu tom muito franco e as polêmicas de seus posts geram uma espécie de fórum online. E discussão, a gente sabe, quando não-gratuita ou leviana (nem sempre possível em fóruns), é bem vinda.

E tem uma máxima do chef Julinho que eu estou muito de acordo: a comida gostosa sumiu. Ninguém comenta mais dela. Só se fala em "interessante", "curiosa", "inovadora", adjetivos que nem sempre significam o que mais interessa: comida boa de comer.

Mas, para a nossa alegria, a comida saborosa - e despretensiosa - está de volta, ressurgindo aos poucos em restaurante como o Anita e o Dalva e Dito (que ainda que não esteja redondo, na opinião dos que foram, inclusive do Julinho, tem esta proposta). Foi este o tema da última edição do Boa Vida, que eu não tinha visto já que por algum enigma técnico não foi publicado na página do videocast.

Nada contra as criações, os fusions e os contemporâneos. Acho mesmo que há espaço para todo mundo. Mas que às vezes você troca qualquer pato-confit-com-crosta-de-alguma-coisa-e-coulis-de-outra por um belo arroz com feijão preto e fígado acebolado, isso é bem verdade.

(No vídeo há também o passo-a-passo do cuscuz paulista servido no Anita.)

Clique aqui para assistir.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Curtinhas: curso de bier sommelier

E o Senac SP prepara, em parceria com a mestre cervejeira Cilene Saorin, um curso de bier sommelier para ser ministrado na unidade de Santo Amaro ainda este ano.

CB sem comida, Casa Belfiore com reformulações a vista


Saiu no último Guia da Folha uma nota sobre as mudanças no clubinho roqueiro CB. Falou-se mais das alterações no visual da casa - agora em clima de Miami-beach-art-decó - e do novo bar instalado no corredor. Mas sabadão estava eu na escola Wilma Kövesi, em um curso de gerenciamento de negócios gastronômicos, e bati um papo com o Diego Belda, um dos sócios da casa, que me contou algo mais sobre a reformulação.

"Fechei a cozinha do CB", disse ele e eu me surpreendi. Lembro que quando eu fazia o roteiro de noite no Guia um dos principais predicados da casa era o clima de dining americano e o fato de servir bons hambúrgueres e petiscos. Isso, me contou o Diego, acabou. Como sabemos, nem sempre o potencial da casa vem conforme o planejado. E, por mais que o Diego aparentemente seja bem chegado em gastronomia - tanto que o bar
Casa Belfiore depois virou bistrô e confundiu muita gente com essa mudança -, a vocação do CB acabou indo pro lado night/show. Ou seja: ninguém comia ali. "Quem é que quer comer com um cara pulando do seu lado?", ele me perguntou. Verdade. Casas parecidas, como o Berlin, não oferecem nada mais que uma saltenha ou amendoins para comer, que é o que os sócios do CB pretendem servir agora. E ele completou: "e quem ia lá para comer aparecia mais cedo, saía cedo e não conhecia a essência da casa".

Curiosamente, a aula daquele dia tratou dos produtos que muitas casas têm e que criam fama, mas que, na real na real, ninguém pede. Tipo galinha de angola. Todo mundo comenta que tem, mas quem come? "Só o crítico", reconheceu o professor Eduardo Scott (do Bistrô Charlô). E daí o local fica falado, o cidadão vai lá porque "olha só, tem galinha de angola", mas pede um risoto. Era o caso do CB, que agora depois de muito bem estabelecido na noite paulistana pode ser dar o direito de fechar a cozinha.

Em tempo: depois de ficar meio no limbo daquele território "entre bar e restaurante" e perder um tanto de sua identidade, a Casa Belfiore também deve sofrer ajustes, aí no cardápio, "assim que terminar o curso", contou Diego.

CB - R. Brig. Galvão, 871, Barra Funda. Tel.: 3666-8971.

Casa Belfiore - R. Sousa Lima, 67, Barra Funda. Tel.: 3822-1364.
Foto copiada daqui.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A hora das cervejas artesanais chegou em Buenos Aires



Direto de Buenos Aires, mais precisamente de Palermo Soho, nome meio metido a besta do bairro maomeno Vila Madalena da cidade. Nos arredores do hotel que estou, na rua Guatemala, ficam as lojas, galerias, bares, restaurantes e cafés considerados "de vanguarda" pelos portenhos. De vanguarda mesmo, eu não sei se são. Mas o bairro está visualmente em transformação, com diversos prédios/casas em obras e estabelecimentos charmosos recém-abertos.


Logo que cheguei, no sábado, caminhei até a praça Cortázar, que por sua vez é uma Benedito Calixto local (com uma feirinha bem menor e menos atraente que a de San Telmo de domingo). O dia ensolarado e os inúmeros bares em volta da pracinha convidavam para uma cerveja en la terraza.

Primeira constatação: a Brahma chegou a galope por aqui. Agora disputa os guarda-sóis de patrocínio com a local Quilmes. Dá uma sensação meio esquisita. É como quando você está fora do país e encontra brasileiros circulando - você adora os conterrâneos, mas não é o que espera ou quer encontrar quando cruza a fronteira. E Brahma está bem atrevida nos display e na TV, onde aparece em propaganda com uma versão "balada", a Brahma Beats. Heim? Pois é, Brahma Beats. É tudo da Ambev mesmo...

Isso posto, fiquei feliz da vida quando encontrei o bar Prologo M. R. Cerveceria. Um cartazinho pendurado na porta dava conta que lá eles oferecem 70 tipos de cervejas, incluindo importadas e artesanais nacionais. Fui direto no setor das artesanais, onde seis marcas (com diversos rótulos disponíveis) eram anunciadas. Fui na que "mais sai", segundo a garçonete, e pedi a Antares Kölsh (12 pesos), bem densona, turva e encorpada. Na Argentina eles não bebem cerveja tão gelada quanto nós, então a mais pedida deles talvez não tenha sido uma boa para uma brasileira num dia quente de 27C.

Na sequência, arrisquei e pedi a Valle del Tafí (12 pesos), que em seu rótulo defende ser a primeira cervejaria artesanal do norte da Argentina. Foi surpreendente: com 6,1% de teor de álcool, ela é das cervejas mais frutadas que já tomei, com notas de abacaxi e maracujá, e, apesar de turva e densa, é bem refrescante.



Mas não foi só nesse bar especializado que as artesanais argentinas deram pinta até agora, em minha curta estadia em Buenos Aires. Vários restaurantes que visitei sugeriam em seus cardápios algum rótulo de microcervejarias. Foi o caso da Otro Mundo, que pedi na casa de parilla Miranda e que, quando perguntei para o garçom do que se tratava, ele resumiu numa sinceridade desconcertante "és una cerveza artesanal, pero a mi no me gusta".

Fui obrigada a desobedecer seu conselho (e sentir um prazerzinho de fazê-lo), mas no fim tive que dar o braço a torcer. A Otro Mundo é meio grosseira no paladar, tem sabores muito fechados, e está longe de ser das melhores Golden Ale que já tomei. De qualquer forma, a oferta das micro na cidade me animou, mostrando que talvez na América Latina estejamos no mesmo movimento de valorizar seus produtores artesanais - coisa tão normal em terras européias.



Aliás, para a turma fã dos rótulos do velho continente, também há uma boa notícia nessa história: na mesma Prologo Cerveceria, a Leffe sai por módicos 16 (R$ 11) pesos e a La Trappe é vendida por 22 (R$ 15) - estanhamente, o mesmo preço que cobram pela Erdinger.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bastidores de uma matéria sobre chope


Hoje o Guia da Folha traz uma matéria de capa feita por mim sobre bons (e maus) chopes de bairro. O “de bairro” aqui não é depreciativo, não. Trata-se de uma investigação em bares que não são conhecidos exatamente por suas chopeiras para ver a quantas anda o serviço e o produto oferecidos - além da franca vontade de encontrar novos grandes chopes.

Afinal, para quem é novidade que o Léo, o Pirajá, o Dois Irmãos e essa turma toda de consagrados serve um bom chopinho? A gente quer é mais – e de preferência sem ter que ir muito longe de casa. Para isso, circulei por cinco regiões da cidade e avaliei as mais diversas marcas, apesar da dificuldade de fugir do “monopólio” da Brahma (para quem acredita que bom chope é só desta bandeira da Ambev, a matéria reserva algumas surpresas).

Embarquei nessa empreitada que, para quem vê de fora, é “o trabalho dos sonhos”. Vai nessa! Visitar 30 casas com um termômetro culinário e um medidor de mililitros na bolsa pode ser cômico para muitos ou para quando você está em turma. Quando está a trabalho, muitas vezes sozinha, e vai ao banheiro com o copo de chope na mão (para medir os mililitros escondida) é dureza! Imagine a cara do garçom. “Lá vem a Heleninha Roithman versão morena”. Daí volta à mesa, saca o celular modernão e anota tudo nobloco de notas. “Vai ao banheiro com chope, volta com copo vazio e escreve um sms. Já vi tudo...”. Depois de dois chopes (para comprovar o padrão), sozinha na mesa, você pede a conta. Pronto, o garçom já te olha com aquele olhar de piedade e só falta te dar um abraço...

Enfim, trabalhão e muitas cenas surreais depois, eis uma matéria que eu fico orgulhosa de ter feito. Espero que ajude algumas pessoas a tomarem um belo chopinho perto de casa – e alguns bares a melhorarem seus serviços. A matéria vale também como um alerta para abrir o olho com o valor pago por mililitro (raramente indicados no cardápio pelos estabelecimentos). Na apuração, vi que o tamanho da caldereta varia muito de bar para bar – e o preço nem sempre acompanha quando o copo dminui.

A partir de amanhã, até quarta (dia 25/3), estarei em La Movida direto de Buenos Aires! Saludos muchachos!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Melhorias na Stuzzi

O proprietário da Stuzzi avisa que as funcionárias vão passar por um treinamento, que inclui tirar corretamente o café.

E verdade seja dita: antes do comunicado, eu havia tomado um expresso Orfeu que já estava bem melhor!

Não entendeu nada? Clique
aqui.