quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pão de granola

Dando continuidade ao tema "pão" vou fazer um post rapidinho de uma receita da Clô Dimet que eu achei delícia - além de facílima de fazer. Em uma aula na Escola Wilma Kövesi a chef do La Table (r. Bela Cintra) disse que ama tanto pão que, certamente, se não fosse cozinheira seria padeira.

Esta receita ela disse que criou para dar fim às granolas que sobravam dos cafés e brunchs do La Table, mas que depois virou um sucessão e que ela nunca mais pôde deixar de fazer - tivesse granola sobrando ou não.

A vantagem é que a receita é feita com farinha branca - bem mais fácil de manusear, dar liga e crescer que a massa que leva farinha integral. Então, mesmo quem nunca fez pão vai acertar. O bom é que a granola já dá um super gostinho e permite comer o pão puro - como eu adoro - além de ficar ótimo com requeijão e geléias (principalmente a de damasco).

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Pão de granola


Rendimento: 2 unidades

Ingredientes:

700g de farinha de trigo
300g de granola
100ml de mel
40g de fermento fresco (ou 10g de fermento seco ou 420g de massa madre)
100g de manteiga
500ml de leite morno
30g de sal
2 colheres de chá de açúcar
1 ovo inteiro batido para pincelar


Modo de preparo:

Esmigalhe o fermento biológico em uma tigela junto com um pouco do leite morno. Quando começarem a sair “bolhinhas” é sinal de que o fermento está ativado e pronto para agir. Em um bowl, coloque os ingredientes secos. Abra uma cova no meio e acrescente o fermento e reserve. Numa panela junte o mel, a manteiga, o leite e misture. Acrescente os líquidos à farinha com o fermento e comece a amassar até obter uma mistura homogênea. Quando a superfície estiver bem lisinha, deixe a massa em forma de bola em uma superfície ou bowl coberta com um pano de prato até que duplique* de tamanho. Dê a forma que quiser (baguete, bolinha ou coloque na fôrma), pincele com o ovo e deixe duplicar* novamente antes de levar ao forno a 180 graus por 30 minutos.


* o tempo para a massa duplicar varia de acordo com o fermento usado e com a temperatura ambiente.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bom atendimento não é tudo - mas é muito


Retwintando umas coisas, porque eu ando bem mais aqui que aqui mesmo.


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Menu-degustação do Aizomê na sexta à noite: de chorar de alegria. Pode pedir a versão redux que já é bem farta (cerca de R$120 por pessoa). Ao contrário da fama, os frios estavam melhores que os quentes. O duo de sushi de torô chamuscadinho com maçarico foi o auge. De sobremesa, vale deixar possíveis preconceitos de lado e pedir o cheese-cake de tofu com frutas vermelhas (sem massa). Doce finíssimo!

Comentário extra: além da qualidade incrível da comida, o ambiente do Aizomê é muito cordial. O staff é gentil e papeia com os comensais - e estes por sua vez conversam bastante entre si no balcão, mesmo sendo desconhecidos. Nesta última visita, sentei ao lado de um casal oriental que bebia e comia em doses cavalares. Ele, acho que percebendo minha indisfarçável surpresa, justificou "nem sei te dizer o quanto custaria este torô em Tóquio".


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Almoço no Gardênia (da Gabriel) no sábado: Lombo de cordeiro delícia com risoto de cogumelos meio over no parmesão (mas bom). Já o cordeiro com iogurte e cuscuz marroquino estava apenas ok. O atendimento foi ótimo - com a chef ali no salão de olho em tudo.

Comentário extra: pedimos mudanças na entrada, que foram atendidas. A cerveja veio à mesa num minicooler lindinho da Johnnie Walker. Incrível como esses pequenos esforços pegam tão bem.


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Domingo: incursão no Bambi com amigo são-paulino (achei muito apropriado). A pasta de pimentão é o melhor da casa (além do atendimento). Já o tabule e as kaftas estavam muito salgadas na opinião de todos na mesa. Reclamamos (do tabule) e o garçom prontamente trouxe outro - e ainda agradeceu pelo aviso. Não poderia ser sempre assim? No final, adoçamos a boca com chocolamour.

Comentário extra: Amigos chegaram antes. Era dia de Restaurant Week, salão lotado. Amiga liga pra avisar que tem cerca de uma hora de espera. Insisto na casa. Cheguei e já estavam sentados. "É que eu comentei com a hostess que você estava gravidona". E a atendente prontamente perguntou se nos importaríamos de sentar numa mesa um pouco menor que a usual para quatro (no que aceitamos, pois parecia ainda assim bem espaçosa).


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Três cozinhas diferentes, com quantidades de acertos diferentes (com a comida) nas visitas. O que há em comum? O bom atendimento - que faz TODA a diferença. O jornal Valor fez uma matéria explicando que o paulistano pode voltar a uma casa onde não comeu tão bem, mas não volta onde foi maltratado (eu não li, me contaram. Procurei o artigo no online, mas não encontrei). Parece uma baita verdade, não?


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Aizomê - Al. Fernão Cardim, 39 - Jardim Paulista - Oeste. Telefone: 3251-5157.
Bambi - R. Jorge Coelho, 162 - Jardim Paulistano - Oeste. Telefone: 3071-4600.
Bar e Restaurante Gardênia Gabriel - Al. Gabriel Monteiro da Silva, 726 - Jardim Paulistano - Oeste. Telefone: 3088-3044.
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* Imagem: Le Garcon Manifique, poster de John Bardwell

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pão, pão, pão, pão...

Apesar de todas as mudanças pessoais pelas quais passei nos últimos meses, uma coisa permaneceu igualzinha: minha paixão por pães. Pesquisei, fiz cursos, experimentei compulsivamente baguetes e que tais pela cidade e, principalmente, fiz incansáveis fornadas em casa. Um semestre de experiências depois, posso dizer que já tirei algumas conclusões que dizem respeito ao feitio de pães. Ainda falta muito, muito – sempre vai faltar - mas já ando feliz da vida com o pão que tenho na mesa todos os dias em casa: saboroso, de boa consistência, saudável e barato. De quebra, sovar um pão põe os diabos pra fora e ajuda naquele “balanço emocional” do dia (ou da semana) que só faz bem.

Amigos que experimentaram (ou não) os pãezinhos feitos aqui em casa pedem dicas. Dicas despretensiosas e para pães caseiros, é claro, pois minha cozinha está bem longe de ser industrial. Acredito que depois de pães que mais lembravam concreto armado e outros que continuam uma delicia mesmo três dias depois, em uma ou outra coisa já consigo ajudar. A quem interessar, vou compartilhar minhas expriências por aqui.




Pão feito exclusivamente com fermentação natural recém-saído do forno


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Pão, o começo

Como quase tudo na cozinha (ou como tudo mesmo na cozinha caseira), fazer pães se trata mais de intuição que precisão. E com intuição não quero dizer um dom paranormal de entender fermentos e farinhas e sim de compreender como se dá o processo. E pão é um processo simples: basicamente farinha, sal, água, fermento. Sova até dar o ponto. Primeira fermentação até a massa duplicar de tamanho. Modelagem dos pães, filões ou baguetes a gosto do freguês. Nova fermentação até duplicar. Forno. Pão quentinho e pessoas felizes. Fim.

Quando você entende bem todo esse processo e suas etapas, fica fácil criar em cima, partir para farinhas mais complexas, fermentos mais manhosos de trabalhar, complementos que mudam a estrutura da massa e que podem ajudar em necessidades nutricionais específicas. Mas antes de partir para eles, se a idéia é fazer sempre seu pãozinho, é preciso entender o básico.


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Mas por onde eu começo mesmo?

Eu fiquei me perguntando isso por um tempo. De cara posso dizer que nenhum curso que fiz me deu esse entendimento. Ou eram cursos meramente baseados em receitas ou megatécnicos, para quem tem mesmo uma padaria. O que adiantou foi aliá-los a leitura, pesquisa e a cozinha de casa. Sem preguiça. Quando fui fazer um curso mais avançado, destinados a profissionais, fiquei toda contente quando percebi que entendi tudo o que foi ensinado e tive dúvidas práticas para tirar.

No meu caso funcionou e foi mais ou menos assim: Comecei pelos livros - não há muita bibliografia técnica de pães em português, a maioria dos livros é voltado para receitas. Mas um deles, o livro
"Pão - Arte e Ciência", de Sandra Canella-Rawl, lançado pela editora Senac é simplesmente incrível e bem avançado no que diz respeito aos processos físico-químicos envolvidos na panificação, bem como nos ingredientes usados (em suas diversas variantes). Conversei com Philippe Brye, chef-patissier francês que vive no Rio, e ele também concordou que esse é o melhor livro em língua portuguesa sobre pães. “As receitas acho fraquinhas, mas a técnica está toda lá”, ele me disse. E olha que o cara é exigente!

Cansou, foi tipo ler um livro de química do colegial na sequência, mas valeu. Em seguida, fiquei toda animada a criar pães com massa madre, a criar o meu próprio fermento, a fazer pães multigrãos, com massa aromatizada. Óbvio que me dei mal. Só fui conseguir fazer tudo isso depois de fazer vários pães básicos, com farinha branca e fermento biológico que é vendido no mercado. Nesse exercício diário (sim, eu fiz pães todos os dias por um bom tempo), entendi melhor o ponto da massa e a influência que pequenas variáveis – como temperatura e umidade – têm no resultado final.


Pães rústicos, os meus favoritos, em imagem lindona roubada daqui

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O assunto só começou. Posts sobre levain natural, massa folhada, masseiras, máquinas e equipamentos, receitas, preparo em fornos caseiros (isso sim um drama!), tipos de farinha e outros ainda estão por vir.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Volta do intervalo


Tem uns dois meses que não posto nada. Nesse meio tempo, casei, descobri que estou grávida e passei um tempo na Itália.


Dadas as desculpas, voltemos ao trabalho!
* Na foto, oliveiras fotografadas do carro em movimento em alguma estrada do interior da Toscana

terça-feira, 2 de junho de 2009

Drinques de pisco


Muito se falou, desde antes da inauguração, sobre o La Mar, a casa de gastronomia peruana, parceria do afamado Gastón Acurio (chef que é o principal divulgador da comida andina) e de
Alexandre Mi­qui, do nipo-peruano Shimo. Todas as linhas publicadas são merecidas - o ambiente é agradável, os ceviches são de um frescor incrível e as causas, bolinhos de massa de batatas cozidas com recheios diversos, ainda que um tanto "estrangeiras" para nosso paladar cumprem seu papel de paladinas de uma cultura alimentar diferente.


Mas não vi nada sobre os drinques, ou nada à altura da carta, que é um espetáculo. São diversos coquetéis (palavra antiga essa, que eu adoro), muitos com o pisco como protagonista. O responsável pelas coloridas e criativas bebidas é Rick Anson, consultor, bartender e sommelier com quem tive o prazer de ter aulas de coquetelaria (outra palavra antiga, parece) na pós-graduação, que agora trabalha com exclusividade para a casa (antes disso desenvolveu cartas de drinques para estabelecimentos como Gabriel, Boteco Aroeira e o próprio Shimo).




O pisco sour que tomei no La Mar não tem precedentes e pode ser equiparado em frescor a uma frozen margarita, sem ter de lançar-mão do gelo granulado para tanto. ok, quantas vezes tomei um pisco sour para fins de comparação? Poucas, é verdade, mas sei do que o rapaz é capaz: em uma de suas aulas colocou como desafio que fizéssemos uma caipirinha in-crí-vel com Velho Barreiro (nada contra, mas ?) e depois preparou ele próprio um drinque que me deixou sem entender qual era a mágica* para que ficasse tão bom.


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Uma rasgação de seda depois, fica a dica: quando for ao La Mar, não deixe de pedir um dos drinques. Para quem não tem previsão de visitar a casa em breve, segue uma receitinha de um dos itens da carta que me chamou a atenção:


Maracujá sour


Ingredientes:

90 ml de Pisco

30 ml de suco natural de maracujá

30 ml de xarope de açúcar simples

1 lance de clara de ovo


Modo de preparo:


Colocar todos os ingredientes no liquificador, acrescentar pedras de gelo e bater até ficar homogêneo. Acrescente uma cereja.



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*um pouco da mágica no fim do curso eu entendi. Um dos grandes macetes que Rick me ensinou foi o uso da goma no lugar do açúcar. Ela evita que parte da bebida fique azeda e o fundo, doce demais. O preparo da goma é facílimo: uma parte de água e outra igual de açúcar levadas ao fogo até virar um líquido viscoso, transparente e uniforme. Guarde em uma bisnaga parecida com aquelas de catchup (vendida em qualquer casa de R$1,99) e use sempre que for preparar sua caipora. É tiro e queda.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O sumiço e o queijo mais forte da vida

Sumi mesmo e não acho graça nenhuma. Graças a algumas peças pregadas pelo destino - todas com final feliz, é bom dizer - andei sumida, sumida daqui. Mas não tem desculpa. Não há nada que me dê mais antipatia (ok, há) que posts do tipo "sumi mas agora voltei a postar" etc. E cá estou eu fazendo o mesmo.

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Um mea culpa depois....



Neste meio tempo muitas coisas aconteceram, muitos sabores foram provados, churrasco foram feitos, brindes levantados. Vou, em vários posts, relembrando as experiências.

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O queijo que faz a língua cair



As pessoas sempre fazem a bobagem de me perguntar, quando viajam, "quer que eu te traga alguma coisa?", porque eu digo "sim" e lanço em seguida uma pequena lista de improváveis possibilidades. Da última vez escalei meu primo-irmão para me trazer de Lisboa o tal do queijo estrela.



É que uma vez, num almoço de apresentação de cardápios e novas franquias do La pasta Gialla, acabei sentando na mesma mesa que o Sérgio Arno. E ele, que tinha acabado de voltar de Portugal, sacou da bolsa, na hora da sobremesa, uma embalagem grande que queijo que parecia embrulhado para presente.



Folhas e folhas de papel-manteiga depois, veio o queijo, cremoso, como um mascarpone, para ser comido com um vinho do Porto, como fizemos. Fiquei deslumbrada com aquele queijo, que facilmente me veio à memória na ocasião da oferta do pobre primo. Mas, na volta da viagem à Londres (onde mora), ele confessou, depois de ter mandado o laticínio por Sedex: "não deu para mandar o cremoso. Fiquei com medo de que ficasse cabeludo de tantos fungos durante a viagem. Enviei o queijo duro, tudo bem?".



Tudo ótimo! Vou provar uma outra versão do queijo estrela, que, imagino, deve ser tão boa quanto. E um dia chega o queijo e eu abro. Na etiqueta "queijo estrela envelhecido". Gostei, o queijo já vem velho. Pela embalagem transparente eu já via que a capa do queijo era vermelha como que coberta de páprica (não a capa que você não come, a que você come, como a capa branquinha do brie). "Niqui" abro, um cheiro absurdo invade a casa. Ouço um "o que está acontecendo?" vindo da sala. Era mesmo caso pra se alarmar. Sobreviveria eu ao queijo? Peguei uma faca e heroicamente cortei um pedação, que botei na boca - como quem toma uma talagada de cachaça por não ter coragem de tomar aos golinhos....



Pausa: imagine o provolone que mais coçou a sua língua. Multiplique pelo Grana Padano mais granulado que você já provou. Agora coloque uma capa (vermelha, atenção!) de acidez. Pronto, esse foi o presente que meu primo me enviou.



Fora o choque inicial, adorei o presente. Vale dizer que é um queijo para quem gosta de queijos realmente muito fortes. Eu não me atrevo mais a comer sozinho - quando acabo fazendo isso, fico com o céu da boca com urticária e a língua formigando. Corto uma lasquinha e ponho em cima de uma torrada. É meu ritualzinho de todo dia ao chegar em casa desde então, tipo aqueles caras que nos filmes quando chegam em casa preparam um uísque com gelo.


Importante falar que o envelhecido é melhor para abrir jantares que para finalizar, mas já tomando um tinto robusto ou mesmo uma bela caipirinha.



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Aqui tem um texto bem legal sobre o queijo Serra da Estrela (o tradicional, molinho) e sobre o risco que a produção artesanal dos queijos está correndo por conta das exigências da vigilância sanitária lusitana.

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Em tempo: reli o rótulo, não é "queijo envelhecido", é "queijo velho" mesmo. Amei - os lusos já aprenderam o tal antitucanês.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A época dos caldinhos

É só dar uma baixadinha na temperatura que dá aquela preguiça de sair. Ainda mais, com o perdão da redundância, de sair pra fora – fora mesmo, na calçada. E é a calçada, justamente, o meu local preferido no bar. Qual a solução?

Por sorte, os donos de bares e botequins são mais atentos que os camelôs da 25 de Março. A gente nem mal sentiu a preguicinha, o friozinho, e lá vêm eles com suas sugestões de caldinhos. Adoro. Nas minhas lembranças do último outono/inverno deixaram saudade o caldinho de frutos do mar do Posto 6 (cremosinho, bem denso, uma refeição), o de mocotó, que vem com uma gema crua à parte, do Jacaré, e o caldo de sururu que tomei na casa da minha mãe. Por que não se encontra caldo de sururu em SP? Eu quero! Se não tem sururu é só fazer com vôngole, não é mesmo?

Seja qual for a escolha, é sempre uma opção reconfortante. E sempre uma bela maneira de preparar-se para os primeiros tragos evitando o estômago vazio - antes mesmo de escolher algo de mais sustância para comer.

Uma dica: acho que caldinhos combinam especialmente com cachaças. As “refeições líquidas” sempre tiram o sono de quem quer harmonizá-las com bebidas – enófilos tremem, sem nem mencionar na total incompatibilidade com a cerveja gelada.

Pois essa é uma maneira simples de pensar sua harmonização: como se trata de uma sopa, no fim das contas é melhor não exagerar no líquido que a acompanha para não ficar com o estômago “balançando”. Mas se a barriga já está forrada, pegue seu caldinho e o copinho de cachaça. Beba devagarinho como manda o figurino - para não queimar a língua e nem a goela. No fim, você vai estar, com toda certeza, bem aquecido.

Em tempo: a nota é velha e me desculpem pela antinotícia, mas eu achei tão simpático que merece a menção. O Pirajá comemorou o dia de São Jorge (23 passado) distribuindo um caldinho de galo para os convivas. Como não sou tão fora de hora assim, a celebração vai até hoje (quinta, dia 30). Bela sugestão de happy hour (tem mesmo um belo happy hour o Pirajá) pré feriadão.

E abaixo, o flyer que vem com a receitinha.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A melhor parrilla de Buenos Aires – ou La Cabrera X Miranda

É impossível não ter uma verdadeira intoxicação de carne vermelha quando se viaja para Buenos Aires. Pelo menos para pessoas bem carnívoras, como eu. E é uma orgia alimentar muito satisfatória: não tem jeito, a carne dos caras é melhor e ponto (tanto quanto somos melhores no futibas e ponto).

E por conta dessa superioridade do boi, qualquer parrilla de bairro deixa nós brasileiros felizes da vida, com a sensação de que aquele foi “o churras do ano”. Como não sou iniciante em terras portenhas, quis ir além. Qual seria a melhor parrilla de Buenos Aires? Era essa que eu queria comer em minha mais recente visita.

Um certo boca-a-boca e três guias consultados depois, havia, não uma resposta, mas um embate a ser resolvido. Diz que o La Cabrera é o preferido dos tradicionalistas, mas que o Miranda, freqüentado por playboys, serve uma carne tão boa quanto, ou melhor. Na dúvida, fui aos dois.

La Cabrera




São duas casas idênticas em uma mesma rua em Palermo, já que a primeira não dava mais conta do público. Em ambas, o ambiente é agradabilíssimo: salão pequeno, decoração informal e bem over, cacarecos pendurados, escritos nas lousas. Fomos na filial e sentamos na calçada.

Cada corte (de cerca de 400g) sai por, em média, 40 pesos e pode ser compartilhado. O garçom sugeriu honestamente que não escolhêssemos nenhuma guarnição, apesar das várias opções do menu. “A carne já vem com vários pequenos acompanhamentos”. “Vários” não foi força da expressão, foram treze potinhos que chegaram à mesa com molhos, chutneys, legumes, batatinhas e uma cesta de pães.

Alegria, alegria. Mistura de “picadas” com churrasco – um belo ojo de bife feito no ponto pra mal passado, conforme havíamos pedido. Serviço cordial e sem frescura. E a conta, com cervejas incluídas, deu R$ 50 por pessoa, um valor cada vez mais impossível de se pagar por uma boa refeição (com cerveja, então, nem se fala), em São Paulo.



Miranda

A casa era tudo o que guia Wallpaper tinha dito: o salão amplo, pé direito e-nor-me, decoração moderninha, garotos saídos das quadras de tênis, meninas com cachorros cuti-cuti comendo salada (sem carne). Eu ainda tinha dúvidas sobre o que o guia queria dizer com a frase “os garçons são intangíveis”. Logo entendi. São aqueles garçons novinhos, mais pra bonitinhos que para eficientes, que te deixam um tempão abanando a mão até que resolvem te atender. Também são aqueles dotados de uma certa falta de noção. Quando perguntei sobre que cerveja era aquela listada no cardápio, ele logo respondeu fazendo uma careta: “é uma cerveja artesanal, mas eu acho horrível”. Pedi exatamente aquela.






Mas, no que importa, a carne, o Miranda pareceu impecável. Os cortes têm o mesmo preço do Cabrera, mas são individuais, e os acompanhamentos são pedidos à parte (30 pesos uma salada enorme para até três pessoas, 15 pesos uma abóbora recheada com queijo fundido), o que torna a conta bem mais salgada que no seu concorrente. Mas o bife de chorizo e o lomo estavam sensacionais – com certeza o meu “churras do ano”.

Mas aí a gente vê que uma visita só não basta para você sacar o padrão de um restaurante. Dois dias depois, a vontade de comer aquela carne maravilhosa de novo vez bateu a de conhecer outros lugares. Rumamos para lá, certos de que tudo se repetiria, mas que nada! As duas carnes vieram passadas e até queimadinhas por fora. O meu cordeiro da patagônia não estava melhor que algum criado em Catanduva. E os garçons...mais intangíveis que nunca.





Tudo isso para falar que, em termos de parrilla, vale mais seguir a turma dos tradicionalistas - ao menos se sua intenção for realmente comer.

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La Cabrera - Cabrera, 5.099 e 5.127, Palermo Viejo

Miranda - Costa Rica, 5602 , Palermo Hollywood


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Para quem vai a Buenos Aires e não tem guia impresso, uma boa ferramenta para planejar incursões gastronômicas é o site do crítico Vidal Buzzi.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Super Homem na Pink Elephant

Você já foi à Pink Elephant? Eu não - ir a boates upscale definitivamente não está entre meus programas favoritos. E é por isso que outro dia eu não soube responder quando ele me perguntou assim – “é verdade que lá acende um holofote sobre o sujeito que compra uma champanhe daquelas grandes e toca a música do Super Homem?”. Heim?

Achei que era um daqueles boatos sobre lugares que viram uma espécie de lenda urbana. Disse que era improvável. Mas ele insistiu: “quem ia inventar uma coisa dessas?”. Tá certo, ninguém seria tão criativo. E como já vi as práticas mais bizarras do mundo em clubes – em especial os voltados ao público AAA, que visitei quando cobria Noite na Folha – resolvi ir atrás.

Fonte oficiais consultadas e...sim, é verdade o papo do super homem das champanhes. Na verdade, nas palavras da fonte oficial, é assim:

“Todas as champanhes são servidas como um espécie de chuva de prata. (fogos de artifício – uma versão mais robusta daquelas velas de aniversário, com pólvora). A regra para parar toda a balada e tocar a música do superman é a seguinte: o cliente tem que pedir uma Veuve Cliquout Jeroboan, que é a garrafa de 3 litros (R$ 2.800), ou 11 ou mais unidades das champanhes de tamanho normal – 750ml (R$ 485).”

Daí quando eu fico pensando que se eu estivesse lá (qual a possibilidade?), morrendo de vontade de tomar uma champa (ok, mas a R$ 485?) por que eu ia querer passar o carão de ser alvo de holofote, música do Super Homem e fogos de artfício?

Eu não ia querer, mas muita gente sim. E muito.

“Já tivemos um caso que um cliente pediu 22 de uma única vez! (rs)”

E descolei a foto do momento da entrega para o “super homem” X 22




...
(silêncio de espanto)

terça-feira, 31 de março de 2009

O resgate da "comida gostosa"

Há meses recebi de um amigo jornalista da área gastronômica a indicação do blog do chef Julinho (Júlio Bernardo, do restaurante Sinhá). "Olha que figura". É mesmo. E mais que isso: escreve bem e é corajoso. Em um universo em que a maioria dos profissionais troca elogios em público e há justificativa para todo e qualquer preço exorbitante praticado, ele ataca chefs "incriticáveis" e destrói alguns mitos, como o do cafezinho gourmet custar caro. Virei leitora.

Muitas vezes não concordo com suas opiniões. Mas acho que seu tom muito franco e as polêmicas de seus posts geram uma espécie de fórum online. E discussão, a gente sabe, quando não-gratuita ou leviana (nem sempre possível em fóruns), é bem vinda.

E tem uma máxima do chef Julinho que eu estou muito de acordo: a comida gostosa sumiu. Ninguém comenta mais dela. Só se fala em "interessante", "curiosa", "inovadora", adjetivos que nem sempre significam o que mais interessa: comida boa de comer.

Mas, para a nossa alegria, a comida saborosa - e despretensiosa - está de volta, ressurgindo aos poucos em restaurante como o Anita e o Dalva e Dito (que ainda que não esteja redondo, na opinião dos que foram, inclusive do Julinho, tem esta proposta). Foi este o tema da última edição do Boa Vida, que eu não tinha visto já que por algum enigma técnico não foi publicado na página do videocast.

Nada contra as criações, os fusions e os contemporâneos. Acho mesmo que há espaço para todo mundo. Mas que às vezes você troca qualquer pato-confit-com-crosta-de-alguma-coisa-e-coulis-de-outra por um belo arroz com feijão preto e fígado acebolado, isso é bem verdade.

(No vídeo há também o passo-a-passo do cuscuz paulista servido no Anita.)

Clique aqui para assistir.